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Sindicato levará 5 ônibus de agricultores para visitar a Expointer no dia 3
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Publicado em 27/08/2025 02:22
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Pedro Joãozinho Becker – ou Pedrinho Becker, como também é conhecido – preside o Sindicato dos Trabalhadores Agricultores Familiares de Dois Irmãos e Morro Reuter. Em entrevista ao editor Alan Caldas, ele avalia a agricultura familiar em geral e informa do passeio-estudo que 150 agricultores familiares de Dois Irmãos e Morro Reuter farão para a Expointer no próximo dia 3 de setembro. Leia na entrevista:

Qual a importância da Expointer na vida da agricultura de Dois Irmãos?

Pedrinho Becker – Na Expointer se consegue ver muitas novidades da agricultura familiar. A cada ano descobre-se lá coisas novas que o nosso agricultor aqui de Dois irmãos aproveita. Nós levamos aqui de Dois Irmãos 5 ônibus de pessoas do nosso segmento que vão lá se informar, descobrir novidades e aprender coisas que se pode utilizar aqui

Qual o dia que essas 150 pessoas vão para lá?

Pedrinho Becker – A nossa ida será no dia 3 de setembro (quarta-feira). Estamos já agendando as pessoas. Até porque, agora o ingresso é feito através de QR Code, e esses 150 que irão conosco já saem organizados para isso. Os associados têm transporte livre e os que não são associados ao sindicato, mas desejam ir conosco, pagarão 20 reais para o transporte.

E o ingresso, como fica para os associados?

Pedrinho Becker – Nesse sistema, que é quando o Sindicato organiza os grupos e se responsabiliza pelas inscrições, o ingresso é gratuito para os agricultores. No caso, os nossos associados vão gratuitamente para visitar a Expointer.

E qual é a expectativa dos agricultores familiares nessa Expointer 2025?

Pedrinho Becker – Todos vão com curiosidade, querendo ver coisas novas, maquinários, inclusive. E hoje as instituições financeiras estão também à disposição. A agricultura familiar tem um linha de crédito interessante com o Pronaf. Até tivemos uma reunião com o Banco do Brasil, que nos expôs as linhas de Pronaf que o banco oferece. É bem interessante, porque tu tens uma Selic de 15% e pagas 6 ou 7% de juros, então tu tens de buscar esse recurso.

Quando os nossos agricultores vão à Expointer, tem algum setor que eles mais visitam e se interessam?

Pedrinho Becker – Certamente é o espaço da agricultura familiar, que eu acho inclusive que é o setor mais visitado da feira. Os nossos agricultores vão lá para conhecer e se inspirar. E os demais visitantes têm lá um espaço onde podem ver e aproveitar aquilo que os agricultores fazem de bom.

Quantos agricultores temos hoje em Dois Irmãos e Morro Reuter?

Pedrinho Becker – Em Dois Irmãos temos atualmente 250 famílias trabalhando na agricultura familiar, e em Morro Reuter temos 350 famílias. No total, o sindicato tem 750 associados, porque nem todos são da agricultura familiar.

 

 

 

O que precisa para ser associado agricultor familiar?

Pedrinho Becker – Para se enquadrar na agricultura familiar, a renda principal da pessoa tem de vir da agricultura familiar. Pode ter outra renda, mas a principal tem de ser da agricultura familiar. O CAF (Cadastro Nacional da Agricultura Familiar) é um documento essencial para o agricultor familiar. Ele serve para comprovar a inscrição no registro e é fundamental para que o agricultor tenha acesso a políticas públicas de fomento e fortalecimento da agricultura familiar, incluindo linhas de crédito rural do Pronaf. A Emater, que é uma grande parceira nossa, nos ajuda nesse quesito de enquadramento.

Qual é a posição do nosso sindicato em relação aos demais aqui da regional do Caí?

Pedrinho Becker – Hoje, somos o sindicato mais forte e com o maior número de associados. Nos 15 sindicatos da regional, existem 2.800 associados, e o nosso aqui tem 750. Isso é muito bom para nós todos e significa que estamos unidos.

Em sua biografia que está no livro ‘Homens que Fazem História’, você disse que a agricultura familiar depende de os pais incentivarem os filhos. Essa ainda é a realidade?

Pedrinho Becker – É, mas está em constante evolução. Por exemplo: todas as vezes em que tem uma família que tem um filho e passa para ele esses valores, conceitos e práticas de trabalho na terra, a família “de agricultores” consegue ter uma sequência. Em alguns setores se consegue manter mais facilmente, em outros há mais dificuldades. Exemplo disso são os que tem mais certeza de rentabilidade, como aviário, que tem uma renda mensal certa. Já numa plantação de verdura, repolho ou milho, eu tenho de contar com o “tempo”, e a meteorologia é um grande complicador para a agricultura, gerando muitas incertezas. E, diante da incerteza, os filhos têm uma tendência maior a ir para outras profissões.

E a questão da urbanização, como interage com a agricultura?

Pedrinho Becker – Existe a questão ambiental, advinda da urbanização, que tem atingido em cheio nossas áreas de produção. As pessoas não aceitam o aroma, por exemplo, do esterco de galinha colocado como adubo. Quanto mais urbano, mais difícil de usar material orgânico. E isso também atrapalha. O programa Terra Forte é útil aos agricultores, mas nos dois dias seguintes à adubação o aroma do material orgânico incomoda e as pessoas têm dificuldade de entender.

Para finalizar: E a questão dos inventários nas terras dos colonos, como está?

Pedrinho Becker – Isso é outra coisa que atrapalha, porque o custo dos inventários é alto. O Imposto de Transmissão é muito alto. Embora nós tenhamos isenção até 500 mil reais no ITBI, o fato é que o valor das propriedades aqui da nossa região passam desse valor. E aí, sem condições, os filhos acabam vendendo as propriedades ou simplesmente saindo da profissão. FONTE JORNAL DOIS IRMÃOS

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